Lá fora o dia passa colorido,
aqui dentro de meu quarto
a negritude da noite me assusta.
Imagens de um tempo passado
insistem em movimentar meus pensamentos.
Viram, reviram e solidificam os momentos
de alegria e satisfação vividos
dia-a-dia, há muito idos.
Onde morreram e se desfizeram
as passagens de uma viagem
constante e ao mesmo tempo migratória
que a vida me deu de presente?
A mim só restou a visibilidade embaçada
de um rosto deformado pelas lágrimas
e também pelo tempo que sempre
insiste em nos mostrar o que fomos.
Na parede à minha frente uma mosca
totalmente enlouquecida, perdida,
querendo achar a saída.
Mas as janelas estão fechadas, sem uma fresta de luz.
Assim também estou...
trancada com cadeados de desesperança.
E aqui neste quarto
quieto, escuro, frio e só,
me vejo constantemente como um jazigo
abandonado, que outrora visitado e florido,
guarda recordações de uma vida desfeita.
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